O Pessoa agora sou eu!…12ºC/D – 2014-15

Poemas escritos à maneira de Pessoa ortónimo,  e dos seus heterónimos: Alberto Caeiro, Ricardo Reis, Álvaro de Campos.

Sobre Arminda Gonçalves

Professora de Português da Escola Secundária Augusto Gomes em Matosinhos.
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13 respostas a O Pessoa agora sou eu!…12ºC/D – 2014-15

  1. Hoje acordei mais energético do que ontem
    Máquinas, barulho r-r-r-r-r-r-r-r
    Tomaram posse dos meus sonhos!
    Estão dentro de mim, ó máquinas, ó fábricas!

    Ei Ei Ei r-r-r-r-r rasgo tudo e todos
    Devoro como uma fera.
    Sinto-me furioso como um vulcão em erupção
    Sinto tudo, sou penetrável.

    Ah, poder demonstrar o que sou!
    Ah, ser alguém nesta vida!
    Ah, vida sem sentido, monótona
    O desgosto e tristeza do que me tornei.

    Sou tal e qual uma máquina mortífera
    Arranco as vossas cabeças,
    E no fim, não resta nada a não ser a vossa alma
    Hé-la hé-la up up fábricas, máquinas, comboios!
    Hé-la hé-la up up serem vocês e deixarem-me ser eu

    Cansado de ser eu e todos…

  2. João Paulo Nóvoa diz:

    Ai de quem diga que minto,
    Que eu simplesmente finjo
    E nenhuma regra infrinjo.
    Sou um animal quase extinto!

    Quem lê sente o que sente.
    Vê o que me vai na mente,
    Mas não sente o que senti,
    Pois isso já eu traduzi!

    Que a razão ninguém subestime,
    Que é ela que guia, com paixão,
    O nosso querido, pobre coração,
    Revelando-o, sem que ele desanime.

    De quem me acusa farto estou!
    Contudo, não deixo de ser quem sou.
    Isso seria mais um tiro,
    No ser que hoje sou e admiro!

  3. Francisco Cruz diz:

    Eu Sou o Ricardo Reis

    Escrevo agora o último verso.
    À espera que as Parcas me tracem o destino.

    Ao longe vejo o rio a passar
    e reparo de seguida num tronco a boiar.
    Mas ficou preso na barragem
    Ficando assim sem ver o mar.

    (É como se o meu coração parasse
    e voltasse a bater com a ajuda das máquinas.)

    Abre-se a barragem
    e o tronco segue o seu rumo.
    Em direção ao mar.

    Já perto da foz
    Sinto o meu coração a bater devagar.

    Assim dou por terminado o meu poema
    Porque posso nunca mais o acabar…

  4. Tatiana diz:

    Vem, minha bela Natureza
    Que eu fico feliz como os raios de sol
    Acompanha-me neste caminho sem fim
    Sente comigo, sente através do vento
    Enquanto eu uso todos os sentidos
    Penso com tudo.
    Vê só como passas ali,
    Não me fazes pensar em nada,
    Só sinto a brisa,
    E vejo a beleza da água que corre.

    Fossem as pessoas como tu,
    Refugio-me contigo,
    Tu és só tu,
    Por isso, leva-me contigo,
    Embala-me nas tuas brisas,
    Encaminha-me através das tuas correntes,
    E faz-me feliz!

  5. Susana Pinto diz:

    Poema à maneira de Alberto Caeiro…

    É tão bela a Natureza
    É tão bela porque não faz pensar
    Abstraindo-me de tudo, sento-me e vejo
    As árvores, as flores, o céu e o mar.

    Nada pensa em nada
    E é tão forte a ilusão que o pensamento nos traz,
    Faz-nos ver coisas a mais do que as que são.

    A realidade é essa,
    A realidade é eu não querer o pensamento nem a metafísica
    A realidade é tão simples,
    É a Natureza tal como a vemos.

    E deixamo-nos levar pelos sentidos,
    Onde estes nos levarão?
    Nada isso importa
    Vou deixar-me ir onde o vento me levar…
    (Não hei de ir além da Terra, do céu ou do mar!)

  6. Ana Pontes diz:

    Poema à maneira de Ricardo Reis

    Estou condenado à morte…
    De que me valem os desprezos,
    Amores ou até mesmo felicidade extrema?

    Lídia, minha querida Lídia,
    A vida é como as rosas que te deixo,
    Efémeras e simples.
    Por isso, deixa as tuas mágoas,
    Os Deuses tomarão conta delas.

    Aceita o Fado que te foi conferido pelas Parcas
    E não lutes contra ele,
    É único!

    Senta-te ao pé de um rio,
    Aprecia as rosas e sente tranquilidade na alma…
    Enquanto isso, estarei aqui ao pé de ti
    Sereno e a pensar em todos os momentos que poderíamos aproveitar,
    Mas apenas preferindo ver o rio passar.

  7. Hugo Ferreira,12ºC diz:

    Poema à moda de Pessoa ortónimo:

    Acordei…
    Sinto-me múltiplo…
    Me analisei ..
    E não estou realmente lúcido.

    Embora me mantenha incrivelmente racional
    Embora sinta a tristeza habitual
    Hoje acordei, e não me interpretem mal..
    Sinto-me eu, mas não o Pessoa, outro ser… talvez até não carnal.

    Sinto-me eu .. é certo,
    Mas isso é tão relativo
    Sinto-me eu mesmo não o sendo, nem perto
    Mas não é um problema imaginativo..

    Porque eles existem!
    Não são meras imaginações
    Eu divido-me, e a cada um o meu ser e alma pertencem
    Embora não pensem como eu, enormes alterações.

    Sinto-me e sou múltiplo, triste quando sou eu,
    Feliz quando vejo coisas e sou Caeiro,
    Feliz quando, sendo Reis, me conformo com o destino que Deus me deu..
    Feliz até quando sinto tudo, com Campos, apesar do cansaço derradeiro.

    É assim que vivo,
    Dividindo-me por personalidades
    Mas ainda bem te digo
    Pois assim enfrento e conheço, ainda mais realidades !

  8. Andreia Torres diz:

    Poema à maneira de Alberto Caeiro

    Sou um poeta sincero
    Sem fingimentos , sem representações
    Escrevo apenas o que vejo
    Guio-me apenas pela visão , sem pensamentos.

    Conheço tudo o que há na natureza
    O vento , o sol , as plantas , tudo…
    Quando a noite cai ,
    Fico triste como um pássaro preso numa gaiola
    Não consigo ver , o que me leva a pensar.

    Pensar é mau ! Pensar é triste !
    E sem pensamentos sou feliz.

  9. Ines Silva diz:

    Poema à moda de Ricardo Reis…..

    O rio passa diluindo o tempo
    As maliciosas peles enrugadas
    devoram corpos jovens, envelhecendo-os
    A efemeridade da vida domina o meu ser.

    A ausência de paixão dentro de mim
    promove a minha nobreza de espírito
    Mas de que vale os bens materiais e terrenos
    quando estes não impedem a dor nem a morte?

    Oh alma lúcida e consciente, delibera?? a minha liberdade para um pouco mais de felicidade !

  10. Poema à maneira de Alberto Caeiro

    Gosto de passear no meio das flores
    Cheirar cada uma como se fosse a primeira vez
    Quando elas começam a fechar, é porque está a anoitecer
    Ah, o pôr-do-sol como é lindo!
    Mas a noite não me permite ver nada
    É a lei da vida, mas amanhã volto a fazer tudo!
    A Natureza é linda e todos os dias me surpreendem…

  11. Catarina Almeida diz:

    Poema à moda de Alberto Caeiro

    É tão bom não pensar,
    É tão triste saber que os outros pensam
    Mas ainda pior é saber que penso que os outros pensam

    Questiono-me se Deus existe
    Mas, se Deus for Natureza…
    Tudo em mim será crente em Deus

  12. Ana Duarte diz:

    Poema à moda de Fernando Pessoa

    Quando vi aquela criança
    Tudo me veio à memória
    Toda aquela esperança
    Não passava de uma história.

    Como tudo era belo
    Sem nunca acreditar
    Em todo aquele espanto
    De a ver a chorar.

  13. Madalena Meca diz:

    Entristece-me o anoitecer
    Angustia-me já não poder ver
    Mas a minha tristeza é silenciosa
    Natural e justa

    Cada nascer do sol
    Quando me sento a teu lado
    Tenho o pasmo essencial
    Como se nunca antes a tua beleza tenha visto

    Conheço o sol e vento
    A pequena brisa quente que por mim passa
    Consigo apreciar o teu encanto
    E os girassóis ver e cheirar

    Que bela água !
    Que frescura corre por mim!
    Esse perfume que deixas por onde passas
    Sinto-o em tudo

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